No sábado 14 de fevereiro de 2026, a União Jovem de Itacibá teve a honra de abrir a segunda noite de desfiles do Grupo Ouro do Carnaval Capixaba, no Sambão do Povo, em Vitória (Espírito Santo, Brasil).
Com cores vibrantes e muita criatividade, a escola apresentou o enredo “Viajando pela literatura do Brasil”, uma homenagem à grande tradição literária do país e aos autores que ajudaram a formar a identidade cultural brasileira.
O desfile foi uma verdadeira viagem pela história da literatura nacional e passou por momentos marcantes como:
• Abertura com a carta de Pero Vaz de Caminha, que simbolizou o primeiro contato escrito sobre o Brasil.
• Representações de movimentos literários importantes, como o Barroco, o Romantismo, o Realismo, o Pré-Modernismo, o Modernismo e o Pós-Modernismo.
• Ala dedicada à literatura infantil, com destaque para personagens icônicos do Sítio do Picapau Amarelo, encantando o público com cores, fantasias e alegria.
• Homenagem especial à produção literária capixaba, incluindo o escritor Lellison de Abreu e sua obra, reforçando laços entre literatura e samba.
A bateria, as alas coreografadas e os carros alegóricos traduziram essa narrativa cultural com muita musicalidade e fluidez, conquistando aplausos da plateia desde o início até o encerramento do desfile.
A escola fechou a primeira noite da Série Ouro do Carnaval de Vitória 2026
Apesar de problemas internos e dificuldades financeiras, que impactaram o número de componentes presentes, a Independente de São Torquato manteve sua apresentação com emoção e dedicação, atravessando a avenida com garra e orgulho comunitário.
A escola não apresentou carros alegóricos completos nem fantasias tradicionais, fato amplamente noticiado e que tornou o desfile simbólico, com apenas uma parte da velha guarda, bateria, rainha de bateria, algumas baianas e poucos componentes.
Essa situação levou a penalidades previstas pelo regulamento da liga carnavalesca, além de uma polêmica envolvendo a direção da escola e a Liga Espírito-Santense de Escolas de Samba (Lieses).
Seu desfile destacou tradições milenares e colocou em foco temas como respeito à natureza, conhecimento ancestral e resistência comunitária.
A Tradição Serrana — que foi a quarta escola de samba a desfilar no Sambão do Povo, pela Série Ouro do Carnaval Capixaba 2026
A agremiação apresentou o enredo “A Cor da Liberdade é Preta — O Legado de Queimado”, com eixo central na Revolta de Queimado (1849) — um importante levante de pessoas escravizadas no Espírito Santo liderado por Chico Prego.
A proposta da escola foi trazer essa história pouco lembrada pela memória oficial, mostrando a revolta como um gesto ancestral, político e de resistência em busca de liberdade.
A narrativa do desfile fez uma ponte entre o passado e o presente, destacando que muitas das injustiças sociais e raciais que surgiram na senzala ainda se manifestam nas periferias e favelas contemporâneas, e que a resistência cultural continua viva — no samba, no rap, no grafite e em outras formas de expressão negra.
O desfile também ressaltou a importância das culturas afro-brasileiras e das religiões de matriz africana, defendendo o direito ao “sagrado negro” e celebrando essas tradições como parte essencial da identidade e da luta por justiça histórica.
🎉 A escola entrou na avenida na primeira noite de desfiles da Série Ouro, logo após três escolas anteriores, com aproximadamente 450 componentes, divididos em 17 alas e uma alegoria principal, vestindo as cores e símbolos que remetiam à força e à luta da população negra.
✅ Denúncia e reflexão: A Tradição Serrana usou sua narrativa não apenas para recontar um episódio histórico, mas para evidenciar que a luta contra o racismo e a violência estrutural é contínua — este foi um dos pontos que mais repercutiu entre o público e os jurados.
✅ Representatividade cultural: Foram destacados elementos da cultura popular negra — incluindo samba, ritmos urbanos e manifestações artísticas ligadas às periferias — como formas de resistência e afirmação identitária, culminando na imagem de uma “Constelação Negra” representando sonhos, esperança e projeção de futuro.
O desfile foi considerado um momento de memória e denúncia, com forte presença de mensagem política e social, dando destaque à importância da escola de samba enquanto veículo de expressão comunitária e cultural.